Harisu, dia da mulher, a letra T, bagunças não-intencionais e… kpoppers

Essa aí de cima é Harisu. Harisu é uma mulher, e sempre se reconheceu como mulher, só que nasceu biologicamente como homem. Portanto, Harisu é uma mulher transgênero (O que não a desqualifica diante de mulheres cisgênero). Harisu foi a 2ª pessoa a conseguir, legalmente, mudar de gênero na Coreia do Sul (Nota: Na Coreia do Sul, é possível mudar o seu género nos documentos legais, dependendo sempre da decisão de um juíz), sendo a 1ª personalidade pública. Harisu é um dos principais ícones LGBT e o principal ícone transgênero da Coreia do Sul. Recentemente usei uma imagem dela como uma homenagem ao dia da mulher, comemorado no último dia 8, com a legenda “#RespeitaAsMina” e recebi 2 respostas interessantes: “Respeito as mulheres, não essas mina aí” e “Ele continua não sendo uma mulher”. Isso numa página destinada a… kpoppers. Ao mesmo tempo, vi no meu feed de notícias uma página que não lembro o nome (Provavelmente uma fanbase) usando a imagem de um membro do Seventeen e fazendo a mesma homenagem ao dia da mulher. Com um homem.

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Eu não vou ser hipócrita aqui para falar “Queimem a cabeça desse povo” porque eu já tive a minha época de fazer a mesma coisa, há uns 3 ou 4 anos atrás. Tinha 15 anos, só queria ouvir K-pop e não tinha nenhum senso de ativismo, mas é incrível como muita informação e leitura muda a mente de alguém. Por exemplo, porque existe o dia da mulher de fato?

A proposta do Dia Internacional da Mulher foi iniciada na virada do século XX, durante o processo de industrialização e expansão econômica, que levou a grandes protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 08 de março de 1857 em Nova Iorque. O protesto requeria melhores condições de trabalho e salários mais altos.

Porém o que levou mesmo a essa data ser comemorada mundialmente foi a tese do incêndio provocado na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também ocorreu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911. Foram registradas 146 mortes. Segundo relatos, cerca de 129 trabalhadoras foram trancadas e queimadas vivas. O incêndio da fábrica Triangle é, até hoje, o pior da história de Nova Iorque.

Depois desse episódio, muitos outros protestos foram feitos, e um que se destacou foi o de 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução da carga horária, melhores salários e o direito de voto. Sendo assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher seguiu-se em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910 ocorreu a primeira conferência internacional sobre a mulher em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, e assim, o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido.

~Fonte aqui~

Então não faz sentido realmente colocar homens para estampar homenagens ao dia da mulher. “Ah, Dougie, mas partindo desse ponto, transgêneros também não podem estampar esse tipo de homenagem, uma vez que já foram homens um dia.”, então vamos a mais um pouquinho de informação.

De maneira bem simples, uma pessoa transgênero é aquela na qual sua identidade de gênero difere do aparelho reprodutor que nasceu com ela (Sendo o seu oposto a pessoa cisgênero). Pessoas transgêneros se identificam do gênero oposto ao que lhe foi designado no nascimento, e não tem ligação com orientação sexual/sexualidade/escolha o seu termo para se referir a hetero/bi/homossexuais. Ou seja, uma mulher trans pode sentir atração sexual por mulheres e/ou homens, e um homem trans pode sentir atração por homens e/ou mulheres. O ponto que alguns grupos feministas/LGBT (e eu) levantam é que um homem trans é um homem do mesmo jeito que um homem cis, e uma mulher trans é uma mulher do mesmo jeito que uma mulher cis, pois tudo se trata de auto-identificação, o que causa algumas discussões até mesmo dentro de grupos que lutam pela mesma equidade.

Fato. é. que: A imagem de um transgênero ainda é bastante ridicularizada e humilhada pela sociedade, tanto aqui no Brasil como na Coreia do Sul. Há alguns dias, um vídeo de uma mulher trans tailandesa apanhando de um cidadão sul-coreano viralizou na internet (por ser muher) e posteriormente riu dela (por ser trans) (A noticia você pode ler aqui, em inglês no allkpop). É um comportamento dificilmente noticiado, já que a sociedade sul-coreana é mais conhecida por causar pressão/terror psicológico, diferente da brasileira que já tem essa agressividade. O que me surpreende é que existam Kpoppers brasileiros que ainda tratam transgêneros de maneira tão rude, uma vez que o K-pop é lotado de fanservice homossexual e crossdressing.

E mais uma vez caímos no que já falei por aqui: Kpoppers brasileiros não são kpoppers sul-coreanos, então a cultura e informação são diferentes. Tudo que eu falei aqui você, kpopper brazuca, pode encontrar em diversos sites, fóruns, grupos e artigos em PT-BR sobre o assunto com bastante facilidade, que eu acredito que kpoppers coreanos não tenham com artigos e sites em coreano. Assim como o fanservice na Coreia do Sul é visto de maneira diferente do fanservice no Brasil. Falta de informação é crucial e ofensiva, seja de maneira sutil ou não-intencional (Como usar o carinha do Seventeen para homenagear o dia da mulher) ou mais direta (Como as respostas lá em cima sobre eu ter utilizado Harisu para homenagear o dia da mulher), e garanto que um pouco de pesquisa e respeito com o próximo não irá te matar. Respeito é ensinado desde sempre, e se cada um praticasse, teríamos um mundo melhor.

PS: A história da Harisu é linda demais e vale muito a pena ser lida. Não tem muito tempo que o Dwejitokki contou um pouco sobre a cantora no K-pop e mais umas coisinhas, mas como as fotos não estão em um álbum e sou uma pessoa muito boazinha e trabalhada no aegyo, vou linkar foto por  foto do especial aqui em baixo:

Parte 01Parte 02Parte 03Parte 04Parte 05Parte 06 • Parte 07Parte 08Parte 09

Além disso eles falaram do Lady, um grupo inteiramente formado por mulheres transgênero.

E mais recentemente houve o debut do Mercury, no qual uma das integrantes é a também transgênero Choi Han-bit. Choi já é conhecida pela sua participação no America’s Next Top Model, e já se aventurava na K-music antes do grupo, lançando um álbum solo no ano passado.

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10 comments

  1. Que linda a Nicore desistindo da carreira na Coreia pra lançar seu primeiro LP, e ele é japonês. Faz tipo uns 2 anos sem comeback coreano e eu prevejo que em 2017 ela vai voltar pra Coreia e todo mundo lá vai ta tipo “Ah, a menina que traiu a Coreia… blá blá blá” “Volta pro Japão e lucra lá… etc”

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    1. – Uma das melhores partes do fim de KARA – sim, eu sei que a DSP vai botar mais umas 4/5 meninas na marca e elas vão ré-debutar, assim como Brave Girls – mas KARA para mim morreu, bem, uma das melhores partes é que elas ainda se dão bem e tem um apoio gigante dos Japôneses, então futuramente, vamos ter feats delas, sim. Nicole 💪💪💪💪

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          1. “E pqp essa tracklist, esses nomes de músicas fazem parecer que é um álbum de uma adolescente de 15/16 anos” VERDADEEE KKKKKK
            “Mas a Nicole nem tem tanta musica assim para abusar em fazer um single collection também né” Bom ela podia fazer que nem Apink e lançar First Romance versão japonesa…

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  2. Acho válido tudo o que você escreveu. Infelizmente ainda hoje tem muita gente desinformada (preconceituosa) que não entende o que é o transgênero, que a mudança de gênero é nada mais que você assumir seu verdadeiro “eu”. Tenho familiares que também passam por essa transição, então sempre tive a noção do preconceito (aqui no nordeste é bem complicado) e da visão interna sobre o assunto. Até hoje entro em discussões sobre o assunto, para tentar disseminar um pouco de conhecimento, e além do mais odeio preconceituosos ignorantes.
    Mas imagino o quanto isso ainda é complicado entre os sul coreanos, porém não consigo entender este comportamento vindo de kpopers viciados em fanservices.

    Mais posts assim por favor!!! Eu aprovo sua iniciativa.
    http://0.viki.io/2406ae1b3c63680587e6627b248e8b61bbfdd5b1e223.gif?o=c

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    1. “porém não consigo entender este comportamento vindo de kpopers viciados em fanservices” pois é, é meio que sem lógica existir kpopper preconceituoso vendo o gênero que ele praticamente vive. Aos pouquinhos vamos mudando o mundo, espero eu

      E obrigado pelo apoio ❤

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