ALBUM REVIEW #15: Natsume Mito – NATSUMELO

Eu não estava com muita intenção de dar um review para o álbum da nação NATSUMELO, mas acabei decidindo fazer pois esse deve ser o único lugar onde o álbum vai ganhar algum praise ao invés da piada pronta que a carreira de Natsume Mito já é. Então a fanbase de 7 pessoas da cantora já pode ficar contemplada com um álbum review para NATSUMELO que não tenha nota final abaixo de 2,0 né?! Comentários sobre o álbum logo abaixo.

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Artista: Natsume Mito
Álbum: NATSUMELO
Lançamento: 26/04/2017
País: Japão
Nota do blog: 56/100 (Regular/Bom)
Top 5: NATSUMELO, I’ll do my best, Nemunemu GO, 8-bit Boy, Puzzle
Ouça legalmente: Sim, NATSUMELO agora se encontra no Spotify

SOBRE O ÁLBUM

A real é que esse álbum não tem lá muita ambição. NATSUMELO não é um álbum que deveria mostrar uma Natsume forte e bastante promissora musicalmente (Algo que deveria ser feito, já que ela não emplacou nada antes), mas poderia ser pior também. A maioria das faixas fica naquela linear de “Não ofende porém não é nada WOW”, e os ápices desse álbum nem são tão ápices assim. A artista Natsume já não chama muita atenção para si (Comparem ela com o apelo visual de Kyary e Perfume), e o som é bastante tímido e sem muito rumo comercial. NATSUMELO tem sua coerência e linearidade (É um dos álbuns mais coesos que Nakata fez nessa década) e reflete a sonoridade de Mito nesses dois anos de carreira com bastante sentido, mas só isso não basta para ela. Faltou uma música que chacoalhasse as coisas, algo que dê pra gritar “QUE HINO” e que faça um povo novo seguir o que Mito tem a oferecer, e não somente ser bom para quem já gosta dela. Tem outras falhas bastante óbvias, mas aí já são coisas que eu, como stan da cantora, já perdoei e vi que não vai mudar.

FAIXA A FAIXA

O álbum começa com o debut e marca registrada da cantora, “Maegami Kirisugita” (Literalmente “Cortei demais a franja”). Na época, ninguém sabia como ela ia ser: Somente uma emulação barata de Kyary Pamyu Pamyu, algo a se prestar atenção como Perfume ou… Apenas Nakata delirando quando não pode, para variar. E enquanto que a 3ª opção parece mais viável, a música em si é marcante e apropriada para abrir o álbum (Mesmo sendo uma porcaria por si só). Quer dizer, depois de 350 PVs fazendo essa música acontecer eu aceitei calmamente que estava amando a faixa enquanto virava stan da guria sem nem me dar conta.

Mas Maegami Kirisugita também mostra o principal defeito do álbum: O vocal. Ele é esganiçado demais para uma cantora pop usual e bruto demais para Nakata achar que a voz dela não precise de tanto tratamento quanto ele dá para seus outros atos, e aí acabamos com coisas que, por melhores que sejam, não dá para ouvir mais de duas vezes pois a voz dela dá uma dor de cabeça horrível. Ironicamente, ela funciona melhor em “Odekake Summer”, que sai do country da faixa inicial e vai para uma abertura infantil de programa japonês 90’s. Odekake Summer não tem lá muita intenção de colocar Mito no topo, sendo uma faixa esquecível porém não ofensiva, e o PV divertidinho melhora um pouco a minha aceitação com a música mas… é, cedo demais para aparecer no álbum.

O 1º destaque real do álbum é “8-bit boy”, que é ótima justamente por ser insana demais para lidar. Se a voz de Natsume já é de dar dor de cabeça, imagina então ela cantando EM CIMA DE UM INSTRUMENTAL DE ELEMENTOS SONOROS DE ATARI? É glorioso saber que eles não acharam que a ideia fosse ficar uma merda, aí eles executaram e chocantemente funcionou. É esse tipo de avant garde que faz de Nakata um gênio (Em crise, mas um gênio).

Passadas 3 faixas, já entendemos o que é NATSUMELO: Uma guria que NÃO sabe cantar, NÃO tem apelo pop mas MESMO ASSIM quis tentar gravar um álbum com tendências country/pop infantis. Então a entrada do melhor single da cantora, “I’ll do my best”, é mais do que apropriada. A música volta aquela emulação rural de Maegami Kirisugita, só que sem parecer amadora e fazendo uma dosagem melhor de vocal esganiçado/instrumental infantil, e aí ela joga tudo no ralo com “Colony”, onde o instrumental é ótimo mas ela cantando por cima acaba com a música, mas que eu ouvia pela piada e hoje em dia amo. Com isso entendam: O 1º single de Natsume é uma completa bosta com tanto amadorismo que não dá para acreditar que foi Nakata que fez isso, mas que passa a funcionar se for exposto por muito tempo.

“Hanabira” volta ao lado profissional de Mito, mesmo que mais pareça uma b-side da Pamyu repaginada do que algo que represente NATSUMELO como o resto do álbum está sendo até aqui (Dito isso, Hanabira é melhor quase toda essa bobagem recente da Pamyu). A música é do tipo que só tenta ser agradável e nada muito além, assim como “Moshimo Cooking”, que foi b-side na 1ª vez e só vem encher linguiça no álbum.

7 faixas já se passaram e não rolou NENHUMA INÉDITA NELE, mas isso acaba de ser resolvido com a inserção da melhor faixa do álbum, “NATSUMELO”. Porém, NATSUMELO carrega o mesmo problema que Harajuku Iyahoi da Kyary e Tokyo Girl do Perfume: Isso é só Nakata sem criatividade emulando o country/EDM do Avicii, que se não fosse pela voz de ganso da Mito poderia facilmente ser entregue para qualquer outro ato de Nakata que ficaria de boas. Outra vantagem de NATSUMELO contra as outras é que, como Natsume vem entregando essa coisa country desde o início, acaba fazendo sentido ela lançar porque condiz com a sonoridade dela até aqui, diferente do EDM Kawaii de Pamyu ou dos pancadões perfumados. Mas na tracklist acaba sendo um leve ápice com “Puzzle” voltando aquela coisa “Agradável e infantil” de outras faixas, só que um pouco mais favorável. Não muda a vida de ninguém, mas (creio eu que) sua existência não ofenda também.

“Nemunemu GO” é a segunda inédita do álbum, e provavelmente servirá de encore para a mini tour dela, pois é a faixa com clima de despedida que, olha só, consegue entregar uma Mito mais introspectiva que tenta emular algo mais pessoal. É uma boa para quem curte, e como eu gosto desse tipo de canção, acaba colando comigo. Serviria também para fechar o álbum, mas do nada “Watashi Wo Fes Ni Tsurette” aparece e, bom, essa daqui é mais barulho que música e tem o pior vocal do álbum, mas eu já estava in love por Natsume mesmo, porque não aceitar isso aqui também?! O álbum fecha com “Fuusen to Hari”, outra faixa feita para encerrar e… Olha só, ela fecha o álbum mesmo. Como música ela é só uma emulação sem vocoder das faixas introspectivas de Perfume, mas que ganha um valor a mais fechando o álbum.

VALE A PENA OUVIR?

NATSUMELO não chega a ser ruim, mas definitivamente é para poucos. Não dá para recomendar Natsume Mito para qualquer um, e se você não gostou de Natsume até aqui, não é com as 3 inéditas do álbum que sua opinião sobre a carreira dela como cantora irá mudar. NATSUMELO acaba sendo um álbum que só é interessante para quem já gostava de Natsume Mito com seus singles anteriores, o que justifica o álbum simplesmente não ter força para conseguir um Top 50 diário na Oricon. Ele simplesmente não atrai mais público, só agrada a quem já segue ela mesmo.

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3 comments

  1. Esse parágrafo final ai resume exatamente o que senti ao escutar o álbum.

    Eu comecei a escutar a tosca da franja pela piada dela ter uma franja ridícula, mas acabei envolvido pela bobagem sonora que ela trazia (basicamente, o mesmo que ocorreu com a kyary em PonPonPon e Perfume nos anos 2000), tanto que 8-bits boy e puzzle eu gosto de verdade e não pela zoeira, mas a impressão que dá é que o álbum serviu APENAS para encerrar essa era de estréia.

    Sei lá, talvez se o Nakata tivesse dado Harajuku Iyahoi pra ela e servisse de lead single, provável que acabaria chamando mais atenção. Resta agora saber se com esses resultados esse ai será o ~fim~ pra ela ou uma oportunidade de recomeçar no futuro, com novos singles, talvez uma roupagem melhor feita.

    Ao menos, a capa está MARAVILHOSA.

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  2. “Então a fanbase de 7 pessoas da cantora já pode ficar contemplada com um álbum review para NATSUMELO que não tenha nota final abaixo de 2,0 né?” Me sinto representada

    Eu acabei curtindo o álbum pq acabei curtindo todos os singles dela (tirando 8-bit boy, sério nao consigo), Natsumelo é uma faixa bem agradável e as outras duas eu achei bem medianas pra ser sincera, mas nada que ofenda a ngm. Colony pra mim.É.HINO. E ela nessa capa maravilhosa do álbum só consagra a crescente visual que ela tá vivendo, isso é, se ela AINDA tiver uma carreira, coisa que eu e os 7 membros do fandom aguardamos afetuosamente.

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  3. Acabei de começar a ouvir o álbum, e olha, eu criei esperanças até demais pra algo que já em teoria estava fadado ao fracasso. Eu passei a esperar muito dela com o debut, porque era tão horrível e errado que eu sentia, no fundo, que daria certo. E olha: Mito poderia dar certo. Poderia dar muito certo, mas ela é basicamente um discurso de explicação da Dilma Rousseff: ninguém queria se dar o trabalho de ajudar e, sendo assim, ela sozinha não poderia se revoltar contra a própria equipe.

    No resultado, o álbum virou um best of tão enxuto que eu não duvido realmente que deem um “perdido” nela e daqui a 2, 3 anos encontrem a menina na rua dormindo junto com o lixo. O álbum tem um pouquinho de capsule, de kyary, de perfume e de Mito só a primeira e nada promissora música. Não há o original necessário para um álbum destoar de um complexo de b e a-sides (apesar de que, com ela, por algum motivo absurdo, essas coisas robóticas lançadas pelo produtor funcionam). É como aquele primeiro álbum da Kyary que eu abomino, porém que por algum motivo consegue ser melhor trabalhado do que isso aí. Em contraposição, Pika Pika Fantajin é o ápice que serviria para o Nakata usar de parâmetro para deslanchar a menina da peruca que encolheu na máquina de lavar roupa: músicas coesas, explosivas e próprias. Todo o trabalho naquele álbum faz sentido: a capa parece com as músicas (isso tem sentido?). A estética é homogênea e especial. Mesmo os singles fazem sentido.

    Mito tem sim muito potencial. Por pior que a voz dela seja e por mais avulsa que a pobrezinha pareça, ela é interessante por suas inabilidades. É aquela torta de liquidificador que parece insossa, mas mata a fome. Chop chop, “Maegami Kirisugita” e “8-Bit Boy” são muito próprias. São aquele começo desconexo de capsule, em que Nakata não sabia como projetar a música e o resultado final parecia um gravação de fita, cheia de elementos que não se batem e ainda assim acalmam o coração. É uma fritação sutil. Uma fritação que Natsume Mito, sua voz de caminhoneira mirim e sua cara de 14 anos justificam.

    Uma pena que, tal como capsule, Nakata decidiu matar o produto e pegar o dinheiro. Natsume Mito poderia evoluir de uma figurante da malhação para um indivíduo realmente artístico. Uma pena, uma pena. De qualquer forma, como você bem disse, é tudo muito coeso. O automático do Nakata serviu, pelo menos, para isso. enquanto ela lançava suas músicas, apelo algum surgia. Todavia, ouvir juntas fazem um completo sentido. É como uma ponte. E nisso, ironicamente, até na tracklist acertaram. O LP não é cansativo quanto eu imaginei que seria (muito troste, produção, por não ter feito o mesmo com Level3).

    Ainda gosto dela, tho. Vou acender a vela e esperar que ela deslanche com tudo de mais brega no mundo.

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