ALBUM REVIEW #17: AI – WA to YO

Mais uma review de álbum no ar, e dessa vez com outro álbum duplo: AI resolveu juntar o Japão com o ocidente no double disc WA to YO, seu 1º álbum de inéditas desde MORIAGARO, lançado em 2013. Quem conhece AI sabe que o álbum vem repleto de gritos, extensões e R&B/Urban dos bons, mas será que as músicas serão tão boas assim? Vem ouvir comigo esse “novíssimo” e, já adiantando, surpreendente 11º álbum da cantora.

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Artista: AI
Álbum: WA to YO
Lançamento: 07/06/2017
País: Japão
Nota do blog: 90/100 (Ótimo/Perfeito)
Top 5: Wonderful World, WHAT I WANT, Welcome To My City, Saigo wa Kanarazu Seigi ga Katsu, Sweet Nothing’s
Ouça legalmente: No Spotify, viu, suas frequentadoras de site de download ilegal

SOBRE O ÁLBUM

“WA to YO” é um disco duplo com dois conceitos paralelos, onde são dois discos hip hop onde “WA” representa o Japão e “YO” traz o ocidente. Ideias parecidas já rolaram no Japão esse ano, tanto lançados separadamente (Koda Kumi e seus W FACE) como no mesmo formato Double Disc (E-Girls com o E.G CRAZY), mas o grande trunfo da AI, se compararmos aos dois projetos, é que nenhum dos dois discos já nasce fraco (Como o álbum de baladões automáticos da Koda ou o disco kawaii do E-Girls), pois os dois álbuns são, em sua essência, de um hip hop/urban no qual AI sabe fazer bem.

O que vai mudar nos dois álbuns são as inspirações secundárias: WA vai viajar pelas sonoridades tradicionais nipônicas e te levar para um som onde você pode pagar de badass enquanto está vestindo um kimono e pétalas de flores de cerejeira caem ao fundo. Já YO é o clássico urban das periferias americanas, então você pode chamar suas miguxas e pagar de fodona numa garagem ou algum beco desses. Mas a base do álbum é a construção de um álbum urban, com faixas mais hip hop, faixas mais R&B/Soul, músicas upbeat e ballads midtempo como qualquer álbum da AI, mas dando um propósito conceitual ao mesmo dando uma valorizada ao projeto.

Mas de nada adiantaria uma boa ideia de álbum se ela não fosse sustentada pelas músicas, como já vimos vários álbuns com bastante potencial sendo sabotados por músicas medianas. E é aí que está o grande trunfo do WA to YO: Não existe música ruim nele. AI passa por diversos tipos de música, indo do mais divertido ao emocional, do “Eu sou fodona” ao “Você é fodona”, e em todos eles ela acerta. O que existe são escolhas equivocadas (Alô, Chris Brown) e alguns momentos onde o álbum funciona mais ouvindo faixas separadas ao invés de todo o conjunto, mas, individualmente, não tem uma faixa que eu tenha mesmo desgostado. Se o álbum funcionasse melhor no seu conjunto talvez o 100 vinha, mas WA to YO é o melhor álbum japonês que ouvi esse ano, e potencial candidato a álbum do ano.

FAIXA A FAIXA -WA-

O disco WA começa com “WA Interlude” (feat. Kodou, Jinmenusagi), uma intro de quase 3 minutos de duração. Longa demais para uma simples introdução do álbum, mas ela não se perde na sua função de dar um resumo do que o disco é: A mistura de elementos folclóricos e sonoridades locais japonesas no hip-hop que a cantora faz. Assim como todo álbum que tem proposta semelhante, o conceito meio que não existe em metade do álbum, mas isso eu vou comentando durante a review. Por enquanto, essa intro é interessante e funciona para dar um boost ainda maior na faixa seguinte, “Wonderful World” (feat. Himekami), que é a melhor faixa do projeto WA (E, consequentemente, do álbum) pois tudo que AI poderia misturar em uma música está aqui: O vocal único e marcante da cantora (O timbre dela, pra mim, é um dos mais bonitos da J-music, aliás), o instrumental japonês dando uma sonoridade mística a faixa e a vibe urban característica da AI, com elementos de hip-hop que aparecem bastante discretos como uma forma de não desvirtuar a faixa.

From Zero já deixa de lado a característica “Música com influências japonesas” sendo limitada à apenas uma flauta tímida no instrumental e vai direto para a “Música com influências da discografia da AI”. Isso aqui é o tipo de baladão motivacional onde AI canta (e grita) que você é a melhor pessoa do mundo ou alguma coisa revigorante do tipo que ela lança sempre que dão chance, mas por incrível que pareça a tímida flauta deu um tom mais novo para a faixa, e algo que poderia soar automático acabou sendo bastante gostosa de ouvir (Sorte dela, pois não é a única faixa do gênero nesse álbum). Depois disso vem outro destaque do álbum, “Saigo wa Kanarazu Seigi ga Katsu” (No fim, a justiça sempre vence), que volta ao urbanzão mais pesado com sintetizadores eletrônicos típicos de uma faixa de J-pop mais pretensiosa. No papel parece uma droga, mas na prática isso funcionou (O timbre da AI faz muita bagunça ganhar vida e ficar ótima).

Depois de usos mais discretos do conceito do álbum, “FEEL IT” retoma a chamar atenção para o folclore japonês em seu instrumental em mais uma música que tem o propósito de te fazer a melhor pessoa do mundo. Ultimamente as faixas motivacionais AI é como as faixas rampeiras de Kodão ou os baladões rockish de Ayu: Vai sempre ter pelo menos umas 3 faixas do tipo em cada release. Mas diferente das citadas, AI fez as músicas serem parte do conceito do álbum, soando únicas e não somente “mais uma” na discografia. FEEL IT é linda, o desenvolvimento delicado da faixa é muito bonito e eu não me canso de ouvir AI berrando por metade da faixa. A voz da AI dá gosto de ouvir, especialmente aqui.

“I Can Pretend” traz de volta aquele urban com clima de beco que a gente ouve enquanto caminha pelas favelas da zona sul paulista. É uma faixa que é boa mas nada demais, ganhando um plus pelos 10 segundos de flauta que rola em determinado momento, mas é do tipo que funciona pelos elementos principais funcionarem de qualquer forma. “Gui Gui Nan” é a faixa mais descompromissada do álbum, só buscando divertir o ouvinte com muitas palmas e sintetizadores meio que cômicos, dando vontade de fazer uma dancinha tosca na faixa inteira. E isso também está ótimo. É incrível que o álbum tem faixas com diferentes intenções mas em nenhum momento o nível das músicas cai. É nítido que AI queria dar o seu melhor para o 1º álbum de estúdio em 4 anos, e ela faz isso como se fosse fácil.

O final do álbum é como quase todo final de álbum urban: Faixas lentas e mais amorosas, para dançar agarrado ao mozão, mas ainda feito de uma forma criativa. Essa é a descrição de “HOME”, que inclusive parece aquelas faixas de karaokê quando você já canta bêbado. “IT’S GONNA BE ALRIGHT” é uma baladinha que AI canta dando a sensação de “Tudo vai ficar bem”, sendo confortante de ouvir, e “Music Is My Life” nos lembra que tem música tradicional japonesa influenciando o disco depois dessa segunda metade do álbum passar quase que batido nesse aspecto, dando um brilho maior a essa baladinha de 6 minutos no piano (Que só é tolerável pelos vocais da AI). É um final bastante lento, mas com sutilezas que fazem o projeto ficar original e dar um sentido de existir que não seja só encher tracklist.

FAIXA A FAIXA -YO-

“YO Interlude” é a intro na qual temos que entender que o disco é mais puxado para o urban ocidental, então é hora de deixar o Japão de lado e ouvir AI cantando em inglês por cima de umas faixas hip-hop badass. É uma intro menos interessante que a intro do WA, pois não tem muito o que soar criativo aqui, mas é uma boa intro que acaba eclipsada por uma das principais faixas do 2º disco, “Welcome To My City” (feat. Junior Reid, Eric Bellinger), que foi feita para ser um jamzão urban e consegue. A música não tem muita coisa original nela, só foi feita pra ser fodona mesmo e todos os atos envolvidos me convencem aí. “Right Now” é uma música mais sóbria e sensual que tinha tudo para eu amar… Mas aí ela me resolve socar Chris Brown na música. Não que a música tenha ficado horrível, o cara manda bem e a música é ótima, mas, tipo, É O FUCKING CHRIS BROWN, não dá para eu apoiar isso.

Felizmente temos a melhor sequência do álbum logo após essa derrapada. “WHAT I WANT” (feat. Jinmenusagi) aparenta ser mais um baladão lírico com vários berros e gritos da AI, mas aí do nada o batidão glorioso aparece e bless us com AI e Jinmenusagi mostrando bastante confiança e poder na faixa. Isso aqui está ótimo, e o baladão soul “Sweet Nothing’s” é uma sequência maravilhosa, com a faixa começando no piano habitual mas que vai desaparecendo aos poucos até chegar ao refrão onde só temos AI gritando descontroladamente do jeito que ela adora fazer em cima de uma parte do instrumental em que minha alma é atingida. É o tipo de baladão berrado que me dá gosto de ouvir sempre.

O final do disco está chegando, e “The One You Need” é o último dos poucos tropeços do disco, mas não por ser ruim. Pois a faixa em si é boa (Especialmente da bridge em diante onde a música ganha um outro brilho), mas me soa meio deslocada do que você vai ouvindo do álbum. Não faz muito sentido ouví-la no contexto do álbum, mas ela funciona melhor ouvindo sozinha no repeat. Já “CRAZY LOVE” é só uma boa balada urban para encerrar álbum que não passa disso. Esse 2º disco encontra algumas limitações criativas (Principalmente no final), mas não é algo que me incomode, pois o vocal da AI melhora toda e qualquer faixa desse álbum, não deixando nada ruim.

VALE A PENA OUVIR?

É um álbum MARAVILHOSO para quem curte o lado urban da Asian Music. AI voltou da melhor forma possível com 2 álbuns incríveis (Especialmente o WA), onde não temos músicas ruins e a maioria das faixas são de ótimas para cima. AI tem um vocal maravilhoso e único, no qual todos que não conhecem deveriam ouvir, e as produções do álbum valorizam ainda mais isso. É uma pena que o Japão cagou para ela e o álbum tá penando para vender 10 mil cópias, mas o que importa é que o álbum japonês do ano chegou.

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7 comments

  1. Um dos motivos que faz com que esse álbum seja perfeito é o esmero com o qual AI e sua equipe trabalham num material: a gente vê que sempre buscam dar algo de qualidade e coeso.

    A parte WA é simplesmente tudo aquilo que o JAPONESQUE e o M(A)DE IN JAPAN deveriam ter sido, mas que não cuidaram de fazer. AI provou que não precisa virar um Waggaki Band pra fazer um álbum com sonoridades japonesas convincente. Dá pra imprimir sua própria essência e fazer algo maravilhoso.

    A parte YO é ótima justamente por cair como uma luva pra AI, já que faz parte “eu musical” dela, com essas sonoridades urbana que sempre fizeram parte da carreira dela.

    Ouvir um álbum da AI sempre melhora meu dia, pois ela faz as coisas com uma maestria ímpar, mostrando que ela faz aquilo pq ama.

    Enfim, obrigado pelo review!

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      1. kkkkkk

        Mas eu venero o JAPONESQUE (eu gosto de qualquer merda que Kumiko largue na fanbase), afinal lá temos clássicos eternos do J-Pop feito KO-SO-KO-SO, So Nice, IN THE AIR, etc. Fora que ele tem as melhores capas de álbuns da Koda. Mas vamos concordar que ele não seguiu exatamente o conceito proposto, né?

        Eu não quis ultrajar deusa Koda de forma alguma. Mil perdões!!! 😩

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        1. HAHAHAHA relaxa, eu tava só zuando, ele passa bemmmmmmmm longe do conceito proposto mesmo, no máximo as capas conseguiram o efeito desejado @_@ mas fazer o quê né? A Koda nunca foi muito conceitual mesmo kkkk

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  2. FINALMENTE RESOLVERAM DAR MORAL PRA ISSO AI NA INTERNET BR!!!!!

    E que bom que tá no Sporyfi, o japão tá barrando solista que tenham mais de 4 anos de carreira ultimamente, só os grupos de 302802302332708237 gurias que fedem a mijo é que impera por lá agora! UMA VERGONHA!!!!!!!!!!!!! AI RAINHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    1. O jpop nunca foi altamente divulgado, e as gravadoras japonesas nunca tiveram muita pretensão de popularizar o estilo até pouco tempo atrás, diferente das empresas coreanas que ofertariam a alma de mil trainees a Belzebu pra algum grupo viar hit no ocidente…não é que o jpop “perdeu” em popularidade, até por que quem ouvia jpop a milênios atrás hoje engrossa os fandons de kpop mas ainda acompanham seus atos japoneses favoritos,

      Quem gostava de jpop continua gostando, e quem no comecinho da popularização do kpop começou a divulgar o estilo, eram os que já tinham familiaridade com o pop asiático…

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