ALBUM REVIEW #18: Lee Hyori – BLACK (04.07.2017)

Quando uma fave faz comeback eu geralmente deixo passar um tempo antes de comentar o álbum, porque eu fico MUITO empolgado, como vocês já devem ter notado. Ainda mais quando é Lee Hyori voltando, pois todo álbum que ela anuncia pode ser o último, e o hype só aumenta. Quando eu ouvi o álbum pela primeira vez já estava gritando ALBUM DO ANO para todo canto, mas agora que o hype do comeback já passou e eu já ouvi outros lançamentos por aí, sinto que estou mais tranquilo para comentar o que, de fato, achei do BLACK, 6º álbum de estúdio da cantora. Será que ainda mantive a ideia de que Lee Hyori teve o álbum do ano depois de tudo? Você confere AGORA!

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Artista: Lee Hyori
Álbum: BLACK
Lançamento: 04/07/2017
País: Coreia do Sul
Nota do blog: 75/100 (Bom/Ótimo)
Top 5: White Snake (feat. Los), BLACK, Seoul (feat. Killagramz), Love Me (feat. Killagramz), Unchanged (feat. Los)
Ouça legalmente: No Spotify, pois ela não passou 4 anos fora para vocês baixarem ilegalmente

O ÁLBUM

Esse é o trabalho no qual Hyori teve mais trabalho em fazer algo que se identificasse como dela e não como mais um trabalho pop pegajoso. Basicamente toda a vida tranquila e hipster na ilha de Jeju está presente no álbum, ao mesmo tempo que a velha sexy queen Hyori pop com pegadas góticas e suaves também está presente no álbum. Esse processo de transição do idol para o real me já estava meio que sendo feito no Monochrome, mas o BLACK é onde Hyori deixa claro que agora vai fazer o que tiver vontade de fazer ao invés de seguir a indústria. Ela já se considera velha demais para fazer o mainstream do K-pop (Como ela mesma disse, os adolescentes de hoje em dia na Coreia nem sabem quem ela é), então não faz sentido tentar buscar a nova U-Go-Girl (Mesmo que eu ainda queira, viu), logo, nada a impede de fazer a própria vontade e transformar isso em música.

A principal força do BLACK comparado a outros full álbuns de K-pop que eu ouvi é que ele não morre na faixa 6 e fica a impressão de ser um EP ótimo porém preguiçosamente estendido para virar LP. A segunda metade do álbum ainda cai bastante o nível muito alto que a primeira metade conseguiu ter faixas, com faixas que além de serem grandes destaques da discografia da Hyori são também grandes destaques do ano de 2017, mas mantém o álbum vivo até o fim. Não é o suficiente para eu considerar como álbum do ano sem o hype do comeback (AI e Che’nelle vieram com álbuns melhores que a deusa esse ano), mas ainda sigo firme em achar que esse é o melhor full album coreano do ano até aqui.

FAIXA A FAIXA

“Seoul” já deixa claro na primeira faixa que, sim, Lee Hyori virou a artista americana pedante que quer provar que vai além das músicas idolish e agora quer fazer pop com propósito. Seoul abre o álbum de forma bem mais lenta do que eu gostaria e esperaria de Lee Hyori até (Em um álbum normal da cantora, geralmente, é aquela faixa mais sensual e pretensiosa que mostra que ela está de volta), e eu acabei não curtindo muito a ideia. Ela acaba fazendo sentido no álbum, considerando que não há um pop upbeat nele, e Seoul continua sendo uma ótima faixa por si só, mas acho que o próprio álbum tem faixas mais impactantes para abrir ele (Como White Snake ou a própria BLACK).

“BLACK” segue sendo a minha title track preferida de 2017, e no álbum não muda muito a minha opinião sobre o que já tinha falado na review. BLACK tem aquela coisa de faroeste sombrio que Hyori adorava usar como faixa mais conceitual de outros álbuns, sendo quase que a irmã gótica e trevosa de Bad Girls do comeback anterior, e fico bem feliz dela promover isso a uma faixa título. Ainda que represente toda a mudança proposta por Hyori, é algo que ainda é fácil de se identificar como uma faixa da cantora. BLACK também traz em sua construção os breaks EDM que quase todo mundo anda fazendo no K-pop, mas ela colocou bem mais peso da sonoridade original da faixa, não deslocando o break de toda a música. A música funciona muito bem e por completo. Depois chegamos ao grande destaque do álbum, a psicodélica “White Snake”, onde o EDM ganha mais impacto em cima de sons e elementos do oriente médio dando um corpo mais misterioso para a faixa e ainda outro break pretensiosamente conceitual que funciona de forma bastante efetiva quando, mais uma vez, não destoa por completo do resto da faixa. A bridge em sânscrito foi outro acerto da faixa… Se ela não botasse pra sensualizar em cima de um mantra sagrado, né:

Esse é o tipo de polêmica que, conforme o tempo passa, ele acaba meio que sendo esquecido pelo povão, mas é aquilo: Se alguém se sente ofendido com o conteúdo, é porque tem motivo. E o motivo, no caso, tem bastante sentido, concluindo que: Havia diversas formas de interpretar o mantra sagrado nessa performance, e ela foi bem infeliz na escolha (Talvez, e repito, só talvez ela tirou White Snake como 2ª faixa dos comeback stages para botar Seoul no meio do caminho por conta disso). A música não deixa de ser um hinão da porra, mas fica essa observação pertinente aí.

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“Unknown Track” é um midtempo R&B mais zona comum, do tipo que não ofende mas também não é memorável no fim do dia. Ganha mais pontos por ser a fave cantando, mas no geral, é uma faixa de cafeteria bem executada e com algum apelo. Nada além. Já “Love Me” volta a mesma estrutura de pop rítmico conceitual com breaks mais intensos servindo de pós-refrão, só que numa vibe um pouco mais reggae e de uma forma bem mais divertida e vibrante do que as sonoridades sombrias das faixas anteriores. É o mais perto que Lee Hyori chega, de fato, de um pop upbeat comum no K-pop com esse álbum. As duas faixas seguram bem o alto nível da 1ª metade do álbum, como todo álbum bom de K-pop desse ano… Até chegar a 1ª balada esquecível no piano, “Rain Down”, que é só esquecível mesmo. Aí o meu medo morrer em um monte de baladas chatas já tomava conta de mim na primeira vez que ouvi (Assim como Palette ou My Voice), mas felizmente o álbum NÃO MORRE, mesmo que o nível não seja tão forte quanto.

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“Mute” é o EDM conceitual mais emocional que quase todo DJ que não quer fazer um farofão bate cabelo faz aqui (A 1ª faixa que me veio a mente ouvindo Mute foi Stay do Zedd). Ainda tenho uma sensação de passaram do ponto na hora de abafar o vocal dela na mixagem, mas não que isso me incomode muito. “Mute” é um dos meus vícios do álbum, onde me sinto bastante confortável toda vez que ouço. “Beautiful” é fillerzão sem tirar nem por, mas antes fillerzão tentando ser um bom R&B do que ballad no piano conseguindo ser chata, o que faz a presença do R&B alternative “Unchanged” ser essencial, pois ele vem como uma forma de mostrar que ainda há mais do que se mostrar do álbum. O clima da faixa é bem minimalista, bastante crua tanto na inserção de elementos no instrumental quanto nos vocais utilizados por Hyori e pelo rapper Los. Ela não chega a ser realmente marcante sozinha, mas ganha força na tracklist sendo um dos destaques da 2ª metade do álbum junto a “Mute”.

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O álbum termina com “Diamond”, que é outra balada no piano (Só que com um violino acompanhando dessa vez) totalmente dispensável. Os baladões do álbum são minha grande decepção com esse álbum, uma vez que no Monochrome foi um dos grandes destaques. Amor Mio e Oars são duas faixas lowbeat ótimas que dão um banho nas baladas do BLACK, e parecia que ela tinha achado a fórmula para funcionar em lowbeats emocionais sem um vocal excepcional… Mas isso ficou no Monochrome mesmo.

VALE A PENA OUVIR?

Vale a pena principalmente porque ele não é somente um álbum alternativo pedante de uma artista pop. O pop não morreu completamente na vida de Hyori, e ela soube mesclar isso com (Quase) todos os caminhos mais alternativos que ela quis explorar aqui. Ele só não tem uma faixa dançante e chiclete que a gente sempre espera quando ouve o nome Lee Hyori, mas isso acabou passando tão despercebido quanto as baladinhas dispensáveis que o álbum possui.

 

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5 comments

  1. Diamond não é dispensável ou esquecível por causa da voz daquele velho (esqueci o nome) mas enfim, o álbum tá bom e provavelmente seguira sendo o full álbum do ano.

    Top 5:

    Black
    Seoul
    Love Me
    Unknown Track
    Mute

    Black realmente o single do ano! Demorou um pouquinho pra alavancar comigo mas agora eu tenho até vontade de criar um Twitter só pra falar “que hinooooooo” kkk

    Nota: 8/10

    E quero clickbait no título da review de The War! Aliás quero que você cite na review que é melhor que “Wings” só pra irritar as armygas

    Liked by 1 person

  2. Faixas do “melhor” full album coreano do ano até o momento:

    1. Jeju
    2. Hino dos ambientalistas/Soundtrack de Waterworld (1995)
    3.Música surrupiada da FKA Twigs
    4.Filler I
    5.Lome Lome ❤
    6.Filler II
    7.Música surrupiada da Teião
    8.Filler III
    9. Forma agradável de gastar 3 min. da sua vida
    10. Música surrupiada do Roy Kim
    11. Jeju (Inst.)
    12. Hino dos ambientalistas/Soundtrack de Waterworld (1995) ( Ver. Ambient Music )

    Liked by 2 people

  3. 75/100????????????????????

    Isso ai é medo de pagar de biasede exacerbado? achei que ia ser 85 ou 80….estou CHOCADA!!! No mais, isso ai tá uma delicinha! tomara que BLACK segure no seu TOP5 do fim de ano ❤

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